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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Rosnando

É.

Quero xingar e não consigo.

In... fer... no.

Sinto muito. Mas conversar não resolve. Não lembro o que você disse.

Não dizemos a mesma coisa
Nem se usarmos as mesmas palavras.
Eu passei a noite mostrando-lhe meus medos,
Pra você no fim só dizer: "boa-noite"

Eu tento esconder isso,
Mas minha única verdade
É que me decepciono.
Mas você só faz questão
De mostrar sua decepção.
A minha, escondo.

Saiu agora, só porque está tudo fora de controle.
Você esqueceu, você disse que nunca soube.
As pessoas dependem das outras pessoas, você não admite.
Diz que isso fere sua sensação de ser livre.
Tem vergonha de depender e orgulho dessa solidão.
Pois então,
A falta de razão
Venceu.

Deixa o sangue pingar.
Fazer o moinho girar.

Porque não sei da onde vem a coragem.
Se é mesmo coragem essa palhaçada
Que você veio exigir de mim.

sábado, 30 de outubro de 2010

Senna

Dela, eu conheço as curvas
Mas o caminho nunca é o mesmo
E sei que posso apertar os freios
Mas acelero em mais uma frase
Um pouco mais, talvez eu me ache
Um pouco mais, direto pro desastre

Um louco, mas... estou tão perto
Você faz os limites, eu os testo
Um verso a mais pode acabar com o poema
Mas é uma pena se eu não tentar
...

Uma pena, mesmo
Mas receio que tentei
E o verso não veio.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Se fosse só questão
De talvez, não ou sim
Mas meu dilema
É não saber te ajudar
E não querer te ver assim

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Vilarejo

É, eu sei.
Desse vilarejo
Nesse momento
O que mais desejo
É encontrar minha cama
E dela, fazer meu reino
E descansar o dia inteiro.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Meia coisa no ar, sabe?

É só propaganda, sabe?
(Quando você sabe
Pega meia coisa no ar)

É só questão de sorte, sabe?
(Mesmo que saiba
Meia coisa no ar)

E se você pudesse ver
O que todo mundo fala
Pensaria duas vezes
Antes de falar

É só ser diferente, sabe?
(Quando você sabe
Pega meia coisa no ar)

Meia coisa no ar
Tão simples e particular
Tão difícil de pegar.

E é só tédio, só agonia
Só propaganda, só piada repetida
Só solidão, só dia-a-dia
Só é tanta coisa parecida

Sabe?

domingo, 10 de outubro de 2010

2006

Tardes Inspiradas

Por acaso já te contei
Que quando era pequeno
Eu via as sombras
E acreditava que eram anjos?
Que me perseguiam?
E que eu acreditava
Que o que eu sentia
Era exatamente o mesmo
Que todos sentiam?

Eu fico deitado na cama
Quieto ,sozinho, compondo
Pois quero tanto
Que você me deixe tonto
De tanto dizer que me ama

E nessas tardes inspiradas
Eu quero te encontrar
Quieta, sozinha, compondo.
Descrevendo o que sente uma fada
Fora de um conto.

- x -

sábado, 9 de outubro de 2010

Porque sinto que o dia
Era pra ser mais que isso?
Sair da cama é um desafio
Pra minha ousadia
Com calma, eu apuro os ouvidos
Daqui não vejo, só sou sentido
E o fluxo de tudo desvia
Sem deixar aviso.

Era pra ser mais que isso..
Se eu me sentir forte
Por favor, me acorde
A força também é um vicio
Se eu não me sentir vivo
Me lembre de ser forte
Pois é disso que preciso...

Confunda, aos poucos, meus sentidos
E se for silêncio, que se torne flor
E ver as flores mudarem de cor
E sentir as cores mudarem de sabor...

domingo, 3 de outubro de 2010

Não é sobre futebol, também.

Tô do lado de fora do estádio
Não deixaram eu entrar
Cheguei no pior horário
Aquele que com os portões fechados
Você vê sujeitos selecionados
Podendo passar.

Já era, né, reclamar do quê?
É ficar na torcida
Porque democracia
Não é escolher
É torcer, torcer
Reclamar do quê?
Isso é a vida
E poderia ser pior.

Tem gente na torcida
Que está lá cantando
Só por ter um canto
Pra poder sossegar
Eu tô na torcida
Na parte da vida
De ficar esperando

Tem gente na torcida
Que está lá cantando
Só por ter um canto
E eu tô na torcida
Torcendo pra torcida
Invadir o campo

Eu tô na torcida
Lá embaixo
O jogo acontece
Lá embaixo
Nada que me interesse

Eu olho pro lado
Tem uma torcedora
Com olhos esverdeados

Uma torcedora
Cujos olhos
Minha vida repousa

E eu só quero ficar ali
Apesar do zero no placar
Eu puxo a torcedora
Chamo ela pra comemorar

O jogo lá embaixo
Continua, nua, nua...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Rascunhos de poemas feitos na aula de Braille

Ela quicava
E tudo girava
E tudo gritava
Depois dissolvia

E ela, exausta
Perguntava da alma
E eu nada dizia

Nada diria:
Que pra ela era pecado
Pra mim era magia
O que ela havia negado
Eu não poderia

Eu era sentimento
Ela, infelizmente
Não sentia
Eu nada dizia
Que eu diria?

Não bastava
Nada serve
Quando é a pele
O que rege
A palavra.

- x -

Olha esse cara
Como esse cara é
Sentou-se no vaso
E sentiu-se maomé
Foi chutar o balde
Arrebentou o pé.

- x -

Era ir pra rua
E começava o temporal
Aí eu adoeci
Fui parar no hospital
Eis que a chuva parou
E voltou o carnaval

O azar me ama
Eu, na minha cama
Sentindo dor;
O carnaval passando
Só melhorei quando
O carnaval acabou.

- x -

Ps: Estreia da postagem via e-mail

domingo, 12 de setembro de 2010

Times Like These

(paródia/tradução/adaptação dessa música >>>> http://www.youtube.com/watch?v=7B--3cId-YE )

(Intro D / D6 )

D Am7
Só... só te peço mais um passo
C9 Em7 D (D/D6)
Só mais um pouco... e estaremos já seguros
D Am7
Só... só vá seguindo em frente
C9 Em7 D (D/D6)
Aguente firme, que já estamos quase lá.

C9 Em7 D -
São nessas horas que é pouco que te sobra |
C9 Em7 D |
São nessas horas você vê que a vida importa |
C9 Em7 D | REFRÃO
São nessas horas que você entende e chora |
C9 Em7 D |
São nessas horas... que as horas vão embora |
-

D Am7
Eu... eu sei que é mais difícil
C9 Em7 D (D/D6)
Sei porque também me sinto dividido
D Am7
Em... entre lutar um pouco mais
C9 Em7 D (D/D6)
Ou aceitar que tudo um dia se desfaz


D / D6

ô ô ô

REFRÃO x2

D/ D6

ô ô ô

REFRÃO.

- x -

Quem conseguir cantar/tocar e ficar bonitinho, grava um vídeo aew.

ps: Maldito seja o blogspot. Eu tô arrumando os acordes certinho onde cai a mudança com a tradução e a porra do blogspot desconfigura na hora da postagem ¬¬"

Alguém sabe resolver isso?

sábado, 28 de agosto de 2010

Under the effect of CC- F, of The Ancient Dragons

O sol ia fazendo curva.
"Curva", pensa sozinho
O sujeito passando
Por onde não se deve passar.

E tem ecos, ele percebe
Olha pra sua cara de afobado
Na imagem que o afiado facão resplandece
"Engraçado", pensa sozinho
Acha engraçado mas não sorri.

E o sol termina
Foge dali
"Isso, fuja de mim"
Ele pensa pro sol
E pra vítima
Que não tem pra onde fugir.

- x -
Ps: Se Gogó continuar do jeito que tá, ele vai terminar assim ein!
Eu tento ser bom e não consigo
Tudo que faço escondido
Me condena
E não sei se é pior
Que você sinta ódio disso
Ou sinta pena.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ab' sismo

Um abismo.
A pergunta não é sobre pular.

A pergunta é:
Quando você vai olhar pra trás
E entender porque querem te empurrar?

Cinismo.

Um abismo, sempre tem que ter um abismo.
( A queda assim é mais bonita.
Cair em poças e ralar o joelho
Mesmo que seja mais realista
Não causa mais medo.)
A pergunta não é pular.
Cair no abismo não é a encrenca.
O problema começa
Quando quem está pra te empurrar
Vira as costas e vai embora.

E você fica por lá.
Sem cair no abismo.

Mas sem entender também
Porque está tão sozinho.

Agora quero sangue
Quero a guerra
Quero a festa em alto astral!
Felicidade fatal
Dia seguinte, feridos no chão
Ferimentos abertos
Ressaca em excesso
E não quero ser exceção.

Lá na frente, o abismo
Imagina só.

Porque se não imaginar
Vai ser pior.

domingo, 15 de agosto de 2010

Alter Ego

Se todo mundo tem um defeito
O meu defeito é parecer
Eu pareço com todo mundo que conheço
Porque não?

Dizem que é desvio de personalidade
(mas como? se só usei da sinceridade.)
Disseram que é falta de atitude
(mas como? você quer que eu mude?)
E eu, mudo, não quero.

Eu pareço com Bernardo quando bebo
E chego em casa xingando cedo
Eu pareço o Super achando engraçado
As histórias e contos desse sábado

Pensou no mundo
E ficou com raiva de mim?
Pareço com o mundo:
Às vezes também sou ruim.

Pareço com Nec quando não quero
E com o Gogó reclamando sério
E até com o Suel, nem sei como mas pareço!
(naão... parecer com o Suel é exagero)

É o meu defeito...
Pareço com a música que ouço
Pareço com o subentendido que entendo
Parece que sou louco
Só porque pareço com o que invento.

Pareço meus irmãos
Porque não?
E com tudo que sou parecido
Eu poderia chegar ao infinito!

Sou tão parecido com todo mundo
Que olha que coincidência:
Pareço
Pareço
Parece que fui eu mesmo.

E ser você mesmo não tem nada a ver
E sou punido
E essa é minha punição:
Sempre que eu falar de mim
Vai ser parecido com uma confissão.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Vieux

Eu ia te dizer
Que antes de morrer
Quero ter um abraço seu
Só que sempre achei
Que te dizer isso
Ia mexer demais contigo

Mas dessa vez escapou
E não quero que você
Fique pensando nisso

Guarda como um segredo
Porque pelo jeito
Não vai fazer sentido
Você está feliz demais
Pra se entristecer comigo

Há coisas erradas
Há derrotas
E quando você pensa
Que está perto da vitória
Há viradas

Isso não é a vida
Isso é a maneira de perceber
Que por mais que você tenha pressa
Um dia sentirá
O mundo rodar devagar
Mas nem sempre terá
Alguém pra sentir
Isso contigo

Deixa tudo voltar ao normal
Que o sabor de sal na boca
Não é o seu destino
É só um momento

Um
Maldito
Momento

Do mesmo jeito
Que eu quis escrever
O que por um momento
Senti apenas por você.

- x -

Uma poema de dois anos atrás. Queria postar alguma coisa que escrevi há algum tempo... Esse aí mandei como um depoimento uma vez.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Não adianta

Não adianta, não adianta, não adianta... deixa eu repetir não adianta até...

Até eu entender que não adianta.


Não sei porque falar em ajuda
Eu não estou ferido
Só não estou tão vivo
Quanto estava antes.

Não adianta falar em culpa
Você procura os culpados
Apenas pra não desculpá-los
Isso é desesperante...

Porque eu... não adianta.
Eu não me convenço.
Nem venço sua solidão.

Me ajuda?

É a última vez que peço.

Não adianta, não adianta, não adianta... deixa eu repetir que...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um dia ainda termino esse poema

Pra mim desespero tem outro significado
"Quê que eu tô fazendo aqui?"
É que é frase de desesperado.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Let me start with a poem e terminar pedindo uma coisa...

Backspace sound
Was the only thing I found
That night, in my room

No, there's nothing more.
It's just the same round
Whatever it's happen underwater
Or overfloor
Or on the nextdoor

It's again.
Myself against...
Against what?
The walls, the falls, the troubles?
No, it's not possible.
That I just have to fight
With the kind that don't desire.

It's again... myself against.
Against what?
Against the backspace sound
That's what I always found
When I'm searching for you

- x -

Ela estava. Só. Estava.
Ele se aproximou e perguntou:
- Posso te pedir uma coisa?
Ela, tão naturalmente, respondeu:
- Pode.
Ele, então, devolveu:
- Casa comigo?

E ela prendeu um grito...

E acordou arfante. Olhou pro teto, de sua cama.
"Ainda bem que era só um pesadelo", pensou. E ficou pensando no significado estranho desse pesadelo, de alguém querer casar com ela.

E ele?

Ele não soube do sonho, mas foi escrever. Ele não soube dos desejos dela, mas foi escrever. E ele não soube o que escrever, mas... era algo que ele queria. Tinha uma gritante queimação no peito dele, e ele achou que escrever curaria.

As pessoas sempre acham isso, que escrever resolver. Cantar resolve. Beber resolve. Esquecer resolve.

Estou escrevendo e não tá resolvendo nada.
Eu ainda tô com esse incômodo,de que fiz algo errado. De que não deveria ser assim... e de que sinceramente...

Sinceramente?

Esse incômodo no peito é só um "Wish you were here."

Tão simples que parece até banal.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não, não é sobre religião.

Soneto? Quase.

Por favor deus, me escutai
Logo no começo da constituição
Os caras te evocam pedindo proteção
E se tu és mesmo vosso pai

Não os proteja, guarde pra quem precisa
Porque a constituição não protege todos
E todos sabem quem são os poucos
Que podem ser protegidos pela justiça

Deus, por favor, me proteja
Pois vou a luta
Armado de uma caneta

E eles não irão perdoar
Por eu tentar reescrever
Uma justiça tão imperfeita

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Paulo de Paulo Mendes Campos. Sabe quem é?

Hey, Paulo, me diz o que você fez
Pra ela se apaixonar por você
Não deve ter sido só escrever
Não pode ter sido só escrever

Porque eu conheço uma garota
Que lembra a moça que te amava
E que no final não deu em nada
E no final não sobrou nada

Mas a história repete os atos
E sou só outro personagem
Procurando no passado
Algo parecido com coragem
Mas que não é bem isso
É mais maleável, mais movediço
É a mistura da vontade dela
Com o que pra mim
É sempre mais difícil
De confessar.

Hey, Paulo, me diz o que você fez
Pra ela se apaixonar por você
Não deve ter sido só escrever
Não pode ter sido só escrever

Eu também escrevo, escrevo
E leio o que ela escreveu
Mas eu traduzo à distância
Ela entende que assim tá bom
E ela traduz silêncio:
Lembra a moça que te amava...

E eu?

Escrevo, Paulo, me deescrevo e reescrevo e assino embaixo
Mas acho que dá pra perceber
Não pode ter sido só escrever.