domingo, 24 de abril de 2011

Quanto mais me distancio disso aqui, quanto mais tempo fico longe, mais difícil fica.

Coloquei um disco animado pra tocar. Engenheiros, sabe? O disco se chama "Dançando no campo minado". Até me animou pra qualquer coisa. Bem, tenho brincado de política num jogo, e as primeiras músicas desse disco são músicas políticas, de discussão.

"Um fim-de-semana em outro mundo pode ser a salvação...
Pode ser loucura acreditar que ainda exista salvação..."

Deixo o disco tocando. Queria falar algo sobre a sensação que tenho de não conseguir nem mesmo mudar um mundo virtual de menos de 2 mil jogadores (brasileiros), mas... deixa isso pra lá.


"A hora da verdade...
A idade da razão...
A diferença...
Do que se pensa...
Do que se faz..."

Rota de colisão. Essa música tem uma história que eu sempre lembro. Quando fazia faculdade lá no CEDERJ, o pessoal voltava numa van da prefeitura, e tinha um motorista que já estava velhinho. Daqueles que já deveriam ser se aposentado, e que não tinha nada a perder. Nada mesmo.
Super costumava dizer: " - Ele já não deve meter, acelerar é o que deve dar tesão nele agora". Bem, não era com essas palavras que Super dizia isso, mas era algo assim.

Em um certo final de semana, voltávamos de prova. Na van normalmente tocava uns forrós malucos durante o trajeto, mas naquele dia tinha calhado de tocar Engenheiros na rádio. Não sei o que houve naquela noite, mas nosso motorista estava mais inspirado que o normal no quesito acelerar. E, numa certa altura, tinha duas carretas (del pozzo, se não me engano) na nossa frente. Eis que ele acelera, pra ultrapassar as carretas.

Ah, cheguei a falar que era uma curva?
Adivinha no que isso ia dar?
E Gessinger cantava:
"Isso nos coloca... em rota de colisão".

Eu lembro da expressão da Lorena, do tipo "fuuuu"... e o pessoal apreensivo. Mas, milagrosamente (por falta de palavra melhor) nosso motorista conseguiu ultrapassar as carretas sem causar um acidente. Lembro que Super e Bernardo começaram a rir, depois que o cagaço passou.

É, apesar de associar a música com um dia em que quase morri... foi um dia divertido.

Ponto de partida ou ponto.

Sabe quando o tempo te sacaneia?

Quando você olha pra trás
E se vê olhando pra trás outra vez.
E assim, repetidamente, você vai vendo
Seus reflexos todos olhando pra trás
Uma estrada de "eus", ou vocês
Olhando pra trás, atrás de quê?
Ah, um ponto de partida. Ou ponto.

Pronto, cheguei de novo
Onde decido se estou
No ponto de partida
Ou ponto.

sábado, 19 de março de 2011

Eu voltei pr'aqui não era pra escrever poemas
Mas foi só isso que consegui...
Veja, queria escrever, mas acordei tão poético
E enquanto penso em você, ouço dizer
Que você anda se despindo só por tédio
...

...

;/

quinta-feira, 3 de março de 2011

Eu sei que isso não precisava ter acontecido. Era só eu dizer que estava bem, e que estava animado, e logo logo estaríamos lá, numa mesa qualquer, falando qualquer coisa.

Mas aconteceu, né?

Eu não ando muito bem. Que coisa, né?
Mas você nem merecia isso, você disse que estava bem.
Me desculpa se fui rude, foi sem querer.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Mas eu ainda sonho.

Hoje tive um sonho bom. Tão tranquilo, que espero não esquecer do sonho nem tão cedo.
Foi um sonho bem simples... Eu acordava (no sonho, não literalmente) e ia pra fora da minha casa... manhã, coisa de ser 6 horas da manhã, ainda com o dia nublado, do jeito que era na época que eu estudava no ensino médio. E esperava. Esperava ela aparecer. Não demorava nem cinco minutos (era uma espera, mas o sonho não ficava nessa espera, mas eu sabia que tinham se passado cinco minutos) e ela me ligava...

- Bom-dia! Ah... vem aqui me buscar?
- Vou, vou... onde você tá?

Não lembro o que ela respondia, mas logo depois eu encontrava ela. Ela, linda, linda e com cara de quem acabou de acordar. Os cabelos dourados um pouco bagunçados, e os olhos azuis cercados por uma olheirazinha engraçada, a mochila com uma alça só no ombro, preguiçosa.

Eu a abraçava, beijava a testa dela, e dava um beijo de esquimó dizendo bom-dia e "tudo bem?". Ela sorria, me olhando nos olhos. E estava tudo bem...

Aí aparecia um pessoal (amigos dela, eu acho) e eu andava com ela de mãos dadas até o lugar que ela e o pessoal pegavam um ônibus. Durante o caminho, conversávamos sobre coisas cotidianas, não lembro direito o que era. Aí quando o ônibus chegava, ela se despedia e ia embora.
Mas era aí que vinha a parte bonita mesmo do sonho.
Eu ia pra casa. O dia virava (novamente, no sonho passava na hora, mas eu sabia que tinha demorado um dia inteiro).
E eu acordava de manhã, do mesmo jeito.
E ela, de novo, estava lá.
No dia seguinte, de novo.
E assim o sonho foi, umas cinco ou seis vezes, até eu acordar de manhã durante a vida real. E até fui pra fora, pra ver se não acontecia de não ter sido só um sonho.

Mas... né...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ô criatividade que me falta

Mr. Jones (versão adaptada pro português - ainda com a métrica precisando de ajustes)

Shalalalalala

Eu estava num bar em Amsterdã... olhando uma loira linda
E o Mr.Jones tentava conversar com uma morena dançarina
Ela rebolava enquanto o pai dela mandava ver na guitarra
Perigosamente bela... todos procuramos uma beleza dessa
Quem me dera eu tivesse a sorte de estar com ela
Então venha dançar no silêncio até chegar a hora
Shalalalalala! Yeah!

Vamos, Maria! Mostre-me essa dança espanhola
Me dá um gole disso, Mr. Jones!
Acredite em mim... Me ajude a acreditar
Porque eu sou um cara... que tenta acreditar.

Mr. Jones e eu... contamos histórias um pro outro
Olhando pras moças lindas, enfim....
"Ela está te olhando... ah não, está é pra mim."
Sorrindo no meio das luzes ofuscantes
Do som estéreo
Quando todos te adoram...
Não se pode ficar sozinho, né?

Vou me desenhar um dia... em preto, vermelho, azul e cinza
Tentando ressaltar o que cada cor significa
Sabe, cinza é minha cor favorita... é tão significativa
Se eu conhecesse Picasso, arrumaria uma guitarra assim
E tocaria até o fim do dia.

Mr. Jones e eu... olhamos pro futuro de vez em quando
Olhamos pras moças lindas, enfim...
"Ela está te olhando... ah, não, esta é pra mim"
Ficando no centro das luzes ofuscantes
Eu e minha guitarra cinza
Quando todos te adoram...
Não se pode ficar sozinho...

Não se pode, não posso
Ficar sozinho...
Não posso.
Quero ser um leão... todos se fazem de gatos
Todos queremos ser estrelas...
Sempre por motivos tão abstratos.

Acredita em mim... porque não acredito em mais nada.
E eu queria poder acreditar.

Mr. Jones e eu... olhamos pra televisão.
E eu só queria conseguir me ver lá... estar me vendo
Todos queremos brilhar, não sabemos como, não sabemos porquê.
Mas se todos me adorassem, eu seria feliz...
Tão feliz quanto eu poderia ser.

Mr. Jones, um dia seremos grande estrelas...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Inventei uma oração

É que eu não sei rezar
E eu bem que queria
Mas eu não conseguia
Como se grava algo
No qual não se acredita?
E eu não acreditava
Ao falar certas palavras
A língua sempre trava

Então... inventei.
Enquanto bebia,
Inventei,
Algo pra me proteger
Não sei do quê...

Mas enfim...
A oração era assim:
"Deus, abençoe minha cabeça
Que amanhã eu acorde
E amanhã eu esqueça"

Inventei uma oração
Agora, só falta inventar o amor
E uma profissão.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Faço hora desenhando
E tirando o fato
De que não sei desenhar
Até que me distraio...
Faço duas linhas
Que desencontram
Escrevo ao lado:
"Por quê?"

Daqui a dez anos
Achando esses rabiscos
Você vai achar
Que eu estava
Pensando em você...

E, olha, sendo sincero
Eu não estava
Não sou sempre amor
Só queria ir pra casa.

Eu queria ir pra casa.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sobre os bêbados

Algumas pessoas quando bebem demais choram. Outras, viram valentes. Outras, abraçam todos e se tornam mega amigos. Outras falam toda a verdade.

E eu? Quando bebo, eu vivo.

E não sei se isso é problema ou solução.

Mas eu deveria ter dito.

Que não adiantava de nada ela dizer que eu sou um ótimo cara, se vou ficar sem ela.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Porque, afinal, quantas pessoas dizem "Até que a morte nos separe" pra uma garrafa de cerveja?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Cenas Vívidas

Quatro da madrugada.

Em outras madrugadas, seria sinônimo de estar bebendo sozinho, pensando em alguém.

Mas dessa vez, era sinônimo de ouvir a voz dela no meu ouvido:

- Você não vai me magoar, vai?

Demorei a responder...

- Vou tentar não magoar. - cabei dizendo.

- Tentar? Isso não foi convincente. - ela, ainda sussurando.

- Ah... é que...

É que prometer é o primeiro passo pra magoar. Mas eu não queria dizer isso pra ela.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mini-álcool-poema

No final das contas
Como um anjo, ela abre as asas e se afasta
De mim... nefasta...
E vou mais fundo que posso
Não alcanço o inferno
Que, infelizmente, espero
Encontrar...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

- Rapá - ele virou o resto do copo de cerveja dele - um poema serve pra tudo. Tudo. Esse pessoal fica acusando a poesia de ter morrido... "Morreu, já não serve pra nada". Se chegou ao ponto de servir por uma causa só, não é um poema, é argumento.

- Hmn... - virei o resto do meu copo também.

- Quer um exemplo? Vê só a tragédia que aconteceu lá na Região Serrana. Acabou com tudo, encheu de lama a merda toda. E enquanto o pessoal trabalhava, você acha que quais palavras consolariam eles? Poemas novos, falando inteiramente sobre a tragédia? Ou versos já conhecidos, agora com outro significado?

- Sei não. Depende de cada um, não?

- Não, não depende. Essa é a única generalização que me permito fazer: Todos precisam de algum "para sempre" e "para tudo". O álcool trás isso de vez em quando, o amor trás por um preço muito alto e a poesia está lá, significando tudo que pode.

Olhei pra ele... ele soluçou e perguntou: "Entende?"

Não respondi, mas entendi. Legião, eu ouvi Tempo Perdido essa noite.

"Nosso suor sagrado... é bem mais belo que este sangue amargo." nunca tinha feito tanto sentido.

E até criei um personagem, só pra falar sobre isso.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Meu Reveillón

Não vim falar da tragédia
Mas a tragédia veio falar de mim
Mandou um oi - cartão de natal

Olá meu bem, olá.
Passei a noite pensando em você
Passei por aqui - foi sem querer -
Te ver sentado sozinho
Com seu copo, sua desilusão
Seu violão, sua canção.

Sabe como é, sinta saudade
O mais leve que puder
Já passou, está passando
E vai passar...
São as melhores frases
Pra falar de eternidade.

Já passou, está passando
E vai passar.
Já se foi, está indo
Está quase lá.

MInha tragédia, venha.
Sente-se aqui
Não quero conversar sozinho a noite toda
Não quero acordá-la, nem matá-la de preocupação
Mas, não estou bem não...
Acho que não.

E assim, passou mais um reveillón.