sábado, 9 de outubro de 2010

Compacto

Tenho em mãos três coisas.

Alguns versos da música All-Star, umas frases de uma guria pelo twitter e uma vontade estranha de juntar isso tudo e transformar em algo compacto.

Okay, pra vocês entenderem melhor...

All-Star é a música do Nando Reis, que começa com um "Estranho seria se eu não me apaixonasse por você..."

E as frases da guria são as reações dela perante uma pergunta que ela achou num livro... "Porque você não pode ser a única coisa segura na minha vida?"

A música segue... "Até o doze que é o seu andar, não vejo a hora de te encontrar... e continuar aquela conversa... que não terminamos ontem..."

E na minha cabeça, já não consigo mais imaginar um jeito de juntar isso tudo. Só consigo imaginar ela agora deitada na cama dela, de pijama de criança (ela tem cara de quem ainda usa pijamas infantis, com ursinhos e flores e etc...), com os fios dourados caindo pelas bordas da cama. Ela tem 17 anos, e aos 17, ainda parece um anjo.

É, eu sei que vou ter que mudar alguma coisa. Daqui a pouco ela acorda, e ainda vai parecer um anjo, mas com os olhos de vidro. Esses olhos de vidro, vidrados em alguém, não conseguem me ver. Se eu também às vezes não tivesse esses olhos de vidro, eu mesmo não entenderia.

Tenho que mudar alguma coisa.

Seu olhar não vai mudar. Minha roupa não vai mudar seu olhar. Nem minhas ideias. Nem meus pedidos.
(mas fique comigo, me faça compania, por favor.)

Vou mudar a música que tá tocando mesmo.

Talvez com um pouco de Ultraje a Rigor ela já não pareça mais um anjo.

domingo, 3 de outubro de 2010

Não é sobre futebol, também.

Tô do lado de fora do estádio
Não deixaram eu entrar
Cheguei no pior horário
Aquele que com os portões fechados
Você vê sujeitos selecionados
Podendo passar.

Já era, né, reclamar do quê?
É ficar na torcida
Porque democracia
Não é escolher
É torcer, torcer
Reclamar do quê?
Isso é a vida
E poderia ser pior.

Tem gente na torcida
Que está lá cantando
Só por ter um canto
Pra poder sossegar
Eu tô na torcida
Na parte da vida
De ficar esperando

Tem gente na torcida
Que está lá cantando
Só por ter um canto
E eu tô na torcida
Torcendo pra torcida
Invadir o campo

Eu tô na torcida
Lá embaixo
O jogo acontece
Lá embaixo
Nada que me interesse

Eu olho pro lado
Tem uma torcedora
Com olhos esverdeados

Uma torcedora
Cujos olhos
Minha vida repousa

E eu só quero ficar ali
Apesar do zero no placar
Eu puxo a torcedora
Chamo ela pra comemorar

O jogo lá embaixo
Continua, nua, nua...

03 de Outubro.

- x -


"Conselho que eu ouvi darem a um jovem: 'Faça sempre o que você tem medo de fazer.' "
Ralph Waldo Emerson

- x -


- Ué, o que tá acontecendo? - perguntou uma velhinha encurvada, enquanto olhava pr'quele mar de gente curiosa.

- "Num" sei - resmungou alguém perto da velhinha.

- Deve ter sido briga - sugeriram de supetão.

A velhinha só acompanhava a cena. Em torno da Escola Estadual CIEP 322, um aglomerado de gente se espremia, galgando posições pra verem alguma coisa. Ela observou mais um pouco aquilo; Viu o cinza da calçada, as caras desconfiadas, ouviu de longe a barulhada dessa juventude babaca e logo ficou entediada. Não tinha ninguém ali que ela conhecesse pra perguntar, então não adiantava ficar ali parada. A velhinha deu um suspiro, falando baixinha "é, vou entrar que é o melhor que faço"... E como é de costume, ninguém ouviu ela.

Que azar da velhinha! Cabou perdendo o melhor da cena, tadinha! Ela entrou em casa e...

E explodiram uma bomba no CIEP 322.

- x -

Lá estava eu na Sniper, pra variar. (aliás, pra quem não conhece, a Sniper é uma Lan House daqui de BJ)

Eu tinha acabado de chegar, a loja estava quase vazia, tirando um sujeito usando a internet que eu não conhecia e o Suel jogando o ps3, enquanto não tinha ninguém pra atender. A TV estava ligada, e passava nela uma das bobeiras de sempre da eleição.

- É Suel... esse seu patrão escravocrata é foda ein. Mandou você abrir a loja até no dia da eleição?

Suel me olhou com uma cara meio puta.

- Não falo nada, rapá. Se acha que eu estaria aqui atôa? O Eduardo tá pagando como se fosse hora extra.

Pensei em responder "É, tio patinhas, depois que você arrumou namorada agora tá gastando e precisando de grana, né?", mas não compensava provocar o cara assim. Enquanto eu pensava em qualquer outra coisa pra dizer, cabei só falando "É..."

Foi quando apareceu o Nec lá na Sniper, de camisa social e com a cara vermelha, suando. Ele chegou do jeito espalhafatoso dele, como se fosse o dono da Sniper.

- Mulecada, "cês" não vão acreditar.

- Fala, Nec. - cumprimentei ele. Suel só olhou pra cara dele.

- Explodiu uma bomba aqui em Bom Jardim! Lá no Ramiro.

- Larga de ser caôzero, Nec! - Suel retrucou.

- Tô te falando sério! Suel, pra quê diabos eu mentiria sobre isso, cara?!

- Aham, tá Nec. - respondeu Suel virando os olhos pra cima, com desdém.

Eu não tirava a razão do Suel naquele momento. Nec era um mentiroso de marca maior, acreditar nele era como escrever "eu sou trouxa" na testa.

Mas o destino parece que adora pregar certas peças. Estava eu mentalmente duvidando do Nec, quando tocou a musiquinha do Plantão Globo na TV. Olhei pra TV, Suel também.

"Atentado terrorista no Rio de Janeiro... Uma bomba, de pequeno porte, explodiu numa zona eleitoral do bairro Botafogo... um eleitor que estava na urna no momento sofreu ferimentos leves de queimaduras..."

- Caralho! - saiu em uníssono o que eu, Nec e Suel falamos.

A musiquinha então tocou novamente.

"Estamos aqui em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, e acabamos de receber a notícia de um atentado..."

Dessa vez só o Nec falou, em alto tom:

- Eu falei, eu falei, porra! Que doideira! Nego tá explodindo tudo!

- Não é possível... - Suel falou, pegando o controle.

Ele foi mudando os canais, um por um.

"Recebemos agora a notícia que foi houve uma explosão..."

"Em Gyn, no estado de Goiás, acaba de..."

"Não dá pra acreditar! A urna de..."

Suel parou de mudar de canal quando chegou no Datena, na Band, que comentava indignado: "Isso é um ataque à toda sociedade brasileira! Nem a democracia podemos exercer em paz nesse país!"

- Cara, vamos lá ver o que há no Ramiro, Nec? - eu disse.

- Ah, agora se tá acreditando em mim, né? Ué, e cadê o 'Larga de ser caôzero, Nec'?!

- Vamos lá ou não vamos?

- Vai você, ué. Quando eu falei... - E enquanto o Nec ia falando, justificando ser o dono da verdade, eu falei um "volto já" e sai a passos apressados da Sniper, com a cabeça a mil.

Desci as escadas da Sniper correndo, pensando em chegar lá rápido. Pela primeira vez na minha vida, estava vivenciando algum movimento de revolução, ou anti-revolução, ou seja lá o que fosse aquilo. E mesmo que eu não pudesse fazer nada, porque parecia ser algo muito maior (já que envolvia o país inteiro) aquele sentimento de emergência que fica encarcerado na maior parte do tempo finalmente tinha arrumado um motivo pra ser verdadeiro.

Eu ia descendo as escadas sabendo que não tinha o que fazer.

Mas sabia que melhor momento que esse pra fazer algo importante eu não teria.

Melhor momento que esse, não.

- x -

Encontrei com o Bernardo na entrada do prédio da Sniper, quando terminei de descer a escadaria.

- Indo aonde, champz? - ele perguntou.

- Lá no Ramiro.

- Fazer o que lá?

- Descobrir uma coisa.

- Ih, pronto... pirou de vez. Que que houve, ô comédia?

- Relaxa, que já volto já. Depois te explico.

Continuei andando, deixando Bernardo lá parado, com cara de "hã?".

Segui andando. Atravessei a rua quase deserta, e fui seguindo em frente, até a ladeira que era caminho pro Ramiro. Parei na frente da ladeira, e minha própria voz ecoou na minha cabeça: "É, tá, eu vou no Ramiro, e daí? Que vou fazer lá?"
Não tinha muito o que fazer lá. Ia provavelmente ter policiais lá, se realmente explodiu uma bomba, e pensando bem, eu já não vou muito com a cara da polícia, nem ela com a minha, se eles decidem me chamar de anarquista lá e me levarem, até eu explicar que focinho de porco não é tomada...

Anarquista... a palavra ressoou de novo no meu pensamento.

Foi quando eu lembrei dela.

É, eu não tinha que ir no Ramiro. Tinha que ir na casa dela. Ela falou que não sairia de casa hoje, e não tem pessoa melhor pra saber sobre isso do que ela.

Mudei meu rumo, ignorei a ladeira e segui em frente, até chegar na esquina do final da rua. Virei à direita na esquina e desci pela rua levemente inclinada que tem lá.

Cheguei na frente da casa dela, e como sempre acontece quando eu chegava na frente da casa dela, de início a voz faltou. Enchi o peito de ar. Chamei ela.

Uma vez. Duas. Três. Ela não estava em casa, pelo jeito.

Sentei na calçada, na frente da casa dela. E agora?

Depois de cinco minutos, descobri que não adiantava ficar lá sentado. Gritei ela mais uma vez, na esperança, mas não adiantou. Levantei... e quando fui andando, dois passos depois, ouvi um "espera".

Engraçado, porque não era a voz dela. Mas eu reconheci de quem era a voz.

- Você tá sozinho? - ele perguntou, ao aparecer da sacada da casa dela.

- Aham.

- Sobe aqui.

- x -


Continua...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ctrl+c Ctrl+v do Travian.

victor escreveu:

e ai tudo bem tem muitas tropas

Cantres escreveu:

Ah, tudo bem sim. não, não tenho muitas tropas ainda não, mas tô fazendo. E você?

Ah é, você já foi no fórum? Aparece lá pra se apresentar. Tem que agitar o pessoal a usar o fórum.

victor escreveu:

nao, nunca fui ao forum pra que eu vou pra falar com outras pessoas

Cantres escreveu:

Pra quê falar com outras pessoas? Conhecê-las melhor... aí quando você for perguntar as coisas, elas vão te responder. E principalmente, quando você for pedir ajuda, pessoal vai saber quem você é e vão te ajudar... mas agora, se você não falar com as outras pessoas, isso fica complicado, né?

E aliás, falando com as outras pessoas, você melhora seu português e aprende a escrever melhor.

victor escreveu:


porque vc esta insinuando que eu não escrevo serto

- x-

Nesse momento, tô pensando numa resposta pra esse indivíduo.

É, acho que não adianta dizer nada. O argumento do cara é bom, ele ganhou a discurssão.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mas se a palavra insegurança não existisse, eu teria inventado um sinônimo pra essa palavra muito muito rápido.

E provavelmente batizaria com seu nome.

E a homenagem não é por você ser insegura. É por você causar isso em mim.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Diálogo do trabalho

- É, você tá com cara de cansado de novo ein...

Pra completar, ao ouvir isso eu dei um bocejo com som de "é..."

- Segunda-feira é complicado, eu sei. Dá uma preguiça de acordar, um desânimo, né?

- Ah é... Mas não é por causa de ter que acordar cedo que fico desanimado não.

- Não? Então é por que?

Se eu fosse sempre sincero, a cena teria terminado assim:

- É por causa dos finais de semana solitários que fico desanimado...

...

Pena que não sou sempre sincero e respondi só um "ah, é porque durmi pouco."

domingo, 26 de setembro de 2010

Clipes que ficaram no meu subconsciente

Tem coisa que é fácil de lembrar, que você lembra quase sem querer. Coisas que ficaram gravadas da época que você não entendia o que acontecia.

É lógico que isso já aconteceu contigo.

Hoje eu tô caçando os clipes que eu lembro desse jeito. E qual é a imagem principal que tenho associada.

- x -

"Lambada", do Kaoma:

Putz, essa aí é um clássico... a música só continha basicamente o "Chorando se foi, quem um dia só me fez chorar..."

Mas, mais clássico ainda é o clipe dessa música. Busca aí na memória, não pode ser só eu que mentalizo de cara a saia rodada voando, aquela saia preta, revelando um biquini preto também. Acho que quando vi essa cena pela primeira vez, eu não era nem um adolescente. Porque não lembro de ter achado aquilo erótico (e aquilo era pra ser o.o), e sim algo mais "marca-época".
Depois disso, ainda vem a mini-história que é só contada entre olhares. O garoto moreninho apaixonado pela garotinha loirinha, que o pai/padrasto/dono do bar não deixa a dança deles acontecer. Aquilo era impressionante pra mim na época. Acho que até já imaginei o que os personagens queriam dizer. Hoje parece bem óbvio de entender.

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"Smells like teen spirit", do Nirvana:

Tem muito clipe do Nirvana que eu lembro de ter assistido uma porrada de vezes. E isso porque a onde do Nirvana pós-morte do Kurt Cobain já tinha passado.
Mas até hoje, os pézinhos com all-star batendo logo no começo da música me dão frio na barriga. Tem gente que diz que a cena da geração grunge em clipes é a do "Jeremy", do Pearl Jam, quando o garotinho pega uma arma e se mata na frente da sala de aula.

Bosta nenhuma! Os all-stars ansiosos do começo de "Smells" pega bem melhor a essência do que o grunge causava de mais notável: a sensação de que "é agora". E como esse "é agora" se resolve?
Não é com o velhinho dançando com uma vassoura e nem com Kurt amarrando a corda da guittara. Esse "é agora" não se resolveu. Até hoje.

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"Hit that", do Offspring.

Começa com o cão. Só do cão aparecer você já sabe do que se trata. Vai dar merda!

O cachorro desenhado num tipo maluco de 3D dispara correndo. Aparece o cara azul atrás dele, revoltado.

Vai dar merda, mermão, esse clipe transpira um "vai dar merda", criando uma expectativa do cão. Com 12 anos, eu não entendia o que acontecia, quando aparecia no final a cena do cara azul com a tesoura na mão.
É, quando entendi... putz, deu merda mesmo. =X

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"Anna Julia", do Los Hermanos

Tem outro clipe de baile que eu não lembro de quem é, e que seria o que eu colocaria aqui. Mas é estrangeiro, eu não lembro o nome do artista nem da música, só lembro dos all-stars da garota e do tímido apaixonado. ( se alguém souber que clipe é, coloca o nome lá nos comentários, please. Deve ser algo tipo Wezeer ou Radiohead, é uma coisa bem lenta, depressiva.)

Enfim, explorando o tema de tímido apaixonado e garota dançante em baile, "Anna Julia" serve. Porque também é um clipe marcante, ainda mais pela intro dos "personagens" da trama. E principalmente porque a letra casa perfeitamente com os relances da história... ainda mais nos primeiros versos, os "quem te vê passar assim por mim... não sabe o que é sofrer..."

- x -


"Lua de Cristal", da Xuxa


Lua de Cristal, eu sei, é tenso. Mas é parte da mágica da rainha dos baixinhos, conseguir guardar um espaço no subconsciente de quem a assistia.

Bem, não é exatamente um clipe. Eu lembro é dum trecho do filme, acho que o final do filme já, quando a Xuxa sobe num palco, lembra da infância dela toda num relance e começa a música. Essa clipe também tem uma "história de olhares", principalmente na parte que tem um velho observando as crianças dançando, e o olhar dele tá lá dizendo: "é, talvez ainda tenha jeito". Como uma pessoa que tinha perdido as esperanças e naquele momento tá se arrependendo.

Engraçado que eu vi essa cena no máximo uma ou duas vezes, e fiquei com ela gravada na memória.

- x -

Bem, acho que por enquanto tá bom. Sei que tem mais coisa (principalmente em relação as cenas de filme também, como a de um dos anos 90 de um grupo de estudantes que tentam descobrir o que há depois da morte...) mas deixa isso pra depois, quando eu tiver com essa aura nostálgica de novo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Aliás, é só comigo?

Só comigo que arrependimento parece com uma vontade de enfiar o dedo na garganta pra ver se vomito toda a culpa que sinto de uma vez?

Rascunhos de poemas feitos na aula de Braille

Ela quicava
E tudo girava
E tudo gritava
Depois dissolvia

E ela, exausta
Perguntava da alma
E eu nada dizia

Nada diria:
Que pra ela era pecado
Pra mim era magia
O que ela havia negado
Eu não poderia

Eu era sentimento
Ela, infelizmente
Não sentia
Eu nada dizia
Que eu diria?

Não bastava
Nada serve
Quando é a pele
O que rege
A palavra.

- x -

Olha esse cara
Como esse cara é
Sentou-se no vaso
E sentiu-se maomé
Foi chutar o balde
Arrebentou o pé.

- x -

Era ir pra rua
E começava o temporal
Aí eu adoeci
Fui parar no hospital
Eis que a chuva parou
E voltou o carnaval

O azar me ama
Eu, na minha cama
Sentindo dor;
O carnaval passando
Só melhorei quando
O carnaval acabou.

- x -

Ps: Estreia da postagem via e-mail

domingo, 19 de setembro de 2010

Goles

Não fez sentido algum.

Mas mesmo assim, não quero olhar no dia seguinte e perguntar... "hey, o que eu quis dizer?" pra mim mesmo.

Fala que fez sentido, vem, me prende, me atormente fora da minha mente e diga pra mim:

"Hey boy, fez sentido sim! ;)"

domingo, 12 de setembro de 2010

Times Like These

(paródia/tradução/adaptação dessa música >>>> http://www.youtube.com/watch?v=7B--3cId-YE )

(Intro D / D6 )

D Am7
Só... só te peço mais um passo
C9 Em7 D (D/D6)
Só mais um pouco... e estaremos já seguros
D Am7
Só... só vá seguindo em frente
C9 Em7 D (D/D6)
Aguente firme, que já estamos quase lá.

C9 Em7 D -
São nessas horas que é pouco que te sobra |
C9 Em7 D |
São nessas horas você vê que a vida importa |
C9 Em7 D | REFRÃO
São nessas horas que você entende e chora |
C9 Em7 D |
São nessas horas... que as horas vão embora |
-

D Am7
Eu... eu sei que é mais difícil
C9 Em7 D (D/D6)
Sei porque também me sinto dividido
D Am7
Em... entre lutar um pouco mais
C9 Em7 D (D/D6)
Ou aceitar que tudo um dia se desfaz


D / D6

ô ô ô

REFRÃO x2

D/ D6

ô ô ô

REFRÃO.

- x -

Quem conseguir cantar/tocar e ficar bonitinho, grava um vídeo aew.

ps: Maldito seja o blogspot. Eu tô arrumando os acordes certinho onde cai a mudança com a tradução e a porra do blogspot desconfigura na hora da postagem ¬¬"

Alguém sabe resolver isso?

Intervalando.

Estou deitado, olhando pro teto. No rádio ao meu lado, toca Wonderwall, do Oasis.

Noel canta:
"By now, you should somehow
realize what you gotta to do"

Eu entendo:
"Você já deveria ter percebido o que deve fazer."

Mas não percebi, ainda.

Noel continua. Eu olho pro teto e fico na mesma frase. Está frio, mas não é o frio que incomoda.

O que incomoda é que eu queria escrever alguma coisa, que não fosse sobre carência sufocante, arrependimento doentio e solidão impossível de lidar que todo eu lido.

Me reviro na cama. A música cresce enquanto eu vou diminuindo perto dela. Pensando nela. Ela, no caso, não é a música nem a minha vida.

Vai ser uma merda durmir. O que eu fiz?

A música acaba.

A música acaba comigo.

A Situação

Era madrugada. O turno de Marion estava quase no fim. Últimas rodadas de carro pelo centro, só pra cumprir horário antes de bater o ponto e ir pra casa durmir. Em sua cidade, normalmente nessas horas nada acontecia. Cidade pequena metida a cidade grande, era assim a cidade onde Marion morava e vivera por toda sua vida. Não chegava a 50 mil habitantes, ainda se via cavalos e carroças dividindo a rua com Vectras e Sienas, ainda tinha uma tradição meio que de todo mundo conhecer todo mundo, ainda era uma roça asfaltada.

Marion estava na carona do carro com o braço apoiado na janela aberta, e ia observando as ruas por onde passavam todas as noites. Via o cinza da rua se mesclar com o amarelo das luzes dos postes, como sempre. Via as lojas; loja vazia, loja fechada, loja fechando. Via os bares; os bêbados conhecidos, cada vez mais parecendo cansados, não eram perigo algum.

Passando com o carro na frente dos becos sem saída, Marion foi encarando cada beco mal-iluminado. Quando acontecia alguma coisa pra Marion sair do carro, eram nesses becos.

Marion tinha até apelidado os becos... Um é o da chagas, outro o do reggae, outro era o da escola.

Pediu pro seu parceiro, quando chegaram na frente do primeiro beco:

- Rodrigo, reduz aí no chagas.

Haviam três garotos no beco das chagas. Marion não conhecia nenhum dos três. Não tinham mais do que 15 anos cada um deles.

- Encosta aí, Rodrigo. Isso não é hora dessa mulecada estar na rua.

Um dos garotos, o único com casaco, estava de pé. Os outros dois estavam sentados com as pernas cruzadas, como japoneses. Pareciam estar só conversando.

O carro parou. Marion saiu do carro, com a mão na arma pra impressionar.

O garoto de casaco o olhou.

E chutou com violência a barriga de um dos garotos sentados.

Essa é a situação.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Adiando o Encontro

O policial vai encontrar o muleque, vai brigar, vão discutir, não vai ser emocionante, vai ter lição de moral, vai ser uma anti-lição, vai ser uma coisa babaca, que antes parecia uma boa ideia, vai sair nesse fim de semana, quando eu tiver café e paciência e música tocando, assim que vai ser.

Tá nessa ou não tá?

(como um sinal de vida faz falta)

Tô ficando maluco, não quero falar mais nessa história.

Queria vê-la. Revê-la.

(como um sinal de vida... faz falta)

Hoje esqueci meu talento, lembrei do meu maior defeito e fui escrever.
Você não conhece meu talento, conhece? Você me conhece? Se você me conhece, me detenha, segura minhas mãos, não deixe elas se moverem e fazerem as palavras aparecerem assim.

Não queria que esse espaço fosse um desperdício. Mas acaba sendo, quando eu olho e me convenço de que é assim que é. Eu releeio (desperdício) que escrevi (desperdício) e não soube (desperdício) dizer na hora (desperdício) na cena (desperdício) você indo embora (desperdício) e ficou nisso.

Ah...

Deixa eu reconstruir a cena... tinha uma rodoviária, era cedo.
" O que você tá fazendo aqui?"
"Não sei."

Deixa eu cortar esse não sei e dizer outra coisa. Não era isso, eu sabia o que tava fazendo. Seguindo os dedos, o coração, o instinto, a alma, o inferno que seja lá como você chame isso.

Essa coisa de ir, por querer ir. De ver, pra ver, só pra ver.



Mas...

Ah, a cena não morre aí. Quatro horas depois, um beijo na nuca, um abraço, outra despedida. A cena poderia ter sido um simples beijo e um "por favor, fica".

Mas...

E um café. E ela. E uma pergunta.

"Algo que você queira comentar?"

O mundo pra comentar, eu só tenho um mundo inteiro de comentários. Eu já sei porquê, mas quero saber porquê. Quero perguntar se vai ser assim, quero perguntar no que você pensa quando diz "ele me lembra você. você parece com ele". É exagero, tanto exagero, que dá vontade de dizer "me abraça" até mesmo quando você tá me abraçando. Quando vocês estão me abraçando.

E esse sentimentalismo vai, eu ainda faço um texto em homenagem a duas músicas dos Ecos Falsos. "Sobre ser sentimental" e "Nada não".


Pro inferno. Saiu grande demais, e não é nada demais.

domingo, 5 de setembro de 2010

O Garoto

Meu nome é Danilo.

Me chamam de Dan.

Meu nome é Danilo e eu lembro da primeira vez que tomei um esporro. Não lembro quantos anos eu tinha, mas era novo o suficiente pra ainda ter as bochechas apertadas pelas moças e senhoras. Era novo ainda, meus coleguinhas de classe ainda andavam com mochileiras e lancheiras e os pais ainda tinham que os buscar na escola.

Eu estava pisando. E ganhei esporro por isso, só por isso.

Okay, pra vocês que ligam pra essas coisas, tá, eu não tava só pisando. Era o pescoço de um garoto que eu pisava.

Mas mesmo assim, eu só estava pisando.

Era engraçado como a professora agiu como se fosse uma cena assustadora, um cena bizarra, pitoresca. Não tinha nada demais, mas eu não sabia expressar isso.

Eu era só um garoto sendo alfabetizado que pisava no pescoço de outro garoto.
Não tinha motivos pra eu não fazer isso.

E falaram, me levaram pra mil lugares, pra mil pessoas diferentes falarem comigo.

E me incentivaram a falar, mas na verdade, não era pra me ouvir. Era pra tentar me provar que eu estava errado.

Ainda bem que não funcionou.