E ela respira bem fundo, pra se controlar. Como ele pode fazer uma pergunta dessas? Como ele pode? Arhhg. Ela sente uma vontade incrível de só vociferar e xingar, punir ele com palavras por perguntar coisas que testam a paciência dela.
Ela suspira bem fundo e responde:
- Nada, não é nada.
E daqui em diante, cabe a ele reagir a isso. Ou ele repete a pergunta, pra ver ela explodir tudo que segurou naquele suspiro ou fica quieto, pra deixar aquela coisa acumulada fazer mal à ela. Até o ponto que...
Bem, você sabe o que acontece. Não sabe?
domingo, 28 de novembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
Não é que ele tem evitado escrever.
Mas ele tem que escrever e tem que não ser obrigado a nada ao mesmo tempo.
Ele não quer se prender ao que escreve, apesar da ideia de compromisso não lhe incomodar assim.
Tá, não é bem isso.
Ele tem evitado escrever sim.
Está fugindo do papel.
Porque? Ah, é porque ele é igual a todo mundo. Dá sempre a mesma desculpa. Aquela desculpa de quem evita algo que não deveria:
Está esperando algo que valha a pena.
Enquanto isso, acumula rascunhos. Versos incompletos, ideias para textos...
Toda pessoa tem o direito de se explicar. E agora que ele se explicou, se me dão licença, daqui em diante eu tomo conto disso. E sou eu que vou escrever agora.
Prazer.
Mas ele tem que escrever e tem que não ser obrigado a nada ao mesmo tempo.
Ele não quer se prender ao que escreve, apesar da ideia de compromisso não lhe incomodar assim.
Tá, não é bem isso.
Ele tem evitado escrever sim.
Está fugindo do papel.
Porque? Ah, é porque ele é igual a todo mundo. Dá sempre a mesma desculpa. Aquela desculpa de quem evita algo que não deveria:
Está esperando algo que valha a pena.
Enquanto isso, acumula rascunhos. Versos incompletos, ideias para textos...
Toda pessoa tem o direito de se explicar. E agora que ele se explicou, se me dão licença, daqui em diante eu tomo conto disso. E sou eu que vou escrever agora.
Prazer.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Porque a vida também é Roleplay
Se fossemos personagens em GURPS...
- x -
Nome: L.F
HT: 9 / ST: 8 / DX: 10 / IQ: 15
Vantagens: Talento pra Matemática, Facilidade para Línguas NV 3
Desvantagens: Distração, Timidez (Grave), Pacifismo (apenas auto-defesa), Vontade Fraca NV 3, Fobia grave (Acrofobia)
Principais Perícias: Inst. Musical (Violão) 12, Poesia 14, Literatura 13, Boemia 11, Jogo 11, Oper. Comp. 12, Língua (Inglês) 13, Escrever 13, Linguística 11
Frases: "Olha o ponto positivo..."; "Pois é... mas poderia ser pior"; "Desculpa."
----------------------------------------------------
Nome: B.L.
HT: 9 / ST: 9 / DX: 11 / IQ: 14
Vantagens: Bom Senso, Talento pra Matemática
Desvantagens: Intolerância, Alcoolismo
Principais Perícias: Arquitetura 11, Jogo 14, Oper. Comp. 13, Boemia 12, Lábia 13, Matemática 12
Frases: "Não fode, porra!" ; "É pouco pra corno" ; "Isso ae, champz."
- ---------------------------------------------------
Nome: R.R (aka Super)
HT: 12 / ST: 11 / DX: 10 / IQ: 12
Vantagens: Carisma NV 3, Empatia.
Desvantagens: Compulsão (Rir)
Principais Perícias: Dança 14, Dissimulação 13, Lábia 12, Inst. Musical (Violão) 12, Oper. Comp. 11
Frases: "Disso que gosto!" ; "Fala, comédia!" ; "É que mudei de dieta: agora só tô comendo galinha e piranha"
----------------------------------------------------
Nome: V.L (aka Gazelão)
HT: 12 / ST: 10/ DX: 11 / IQ: 10
Vantagens: Aparência (Atraente), Recuperação Alígera
Desvantagens: Excesso de Confiança, Luxúria, Compulsão (Mentir)
Principais Perícias: Oper. Comp. 11, Boemia 12, Sex-Appeal 13, Inst. Musical (VIolão) 11, Capoeira 11
Frases: "Tá uma uva!" ; "Auspicioso!" ; "Porque você não morre?!"
----------------------------------------------------
Nome: Lucca
HT: 12 / ST: 13 / DX: 14 / IQ: 10
Vantagens : Empatia com Animais, Aparência (Agradável), Hipolagia
Desvantagens: Honestidade, Senso de Dever, Impulsividade
Principais Perícias: Veterenirária 10, Cavalgar 14, A.Animais 12, Desenho 14, Pesca 12, Naturalista 12, Artes Marciais 13, Motociclismo 11, Natação 12
Frases: "Fernandinho, você tem que arrumar um emprego!"; "Ê seu zé minhoca!"; "Cacetada!"
----------------------------------------------------
Nome: M.C. (aka Barrasquinho)
HT: 13 / ST: 14 / DX: 10 / IQ: 10
Vantagens: Rijeza
Desvantagens: Fanfarronice, Mau Humor, Impulsividade, Código de Honra (Chevrand)
Principais Perícias: A.Animais 14, Cavalgar 13, Briga 14, Condução (Carro) 13, Conhecimento de Terreno (Chevrand) 14, Laço 12, Boemia 11, Sex-Appeal 12
Frases: "Chupa!"; "Lambeu de porrada" ; "O que o homem não faz por um pedaço de carne mijada?"
----------------------------------------------------
Nome: V.B.
HT: 12 / ST: 10 / DX: 9 / IQ: 12
Vantagens: Aparência (Atraente), Empatia, Voz Melodiosa
Desvantagens: Paranóia, Pacifismo (Auto-Defesa), Timidez (Suave)
Principais Perícias: Escrever 12, Fotografia 14, Trato Social 12, Atuação 12, Cantar 14
Frases: "Nossa, cara!" ; "Aaah não!" ; "Caraca!"
----------------------------------------------------
Nome: S.W.
HT: 12 / ST: 9 / DX: 11 / IQ: 13
Vantagens: Aparência (Atraente), Bom Senso, Força de Vontade NV 3
Desvantagens: Compulsão (Ciúme), Preguiça, Segredo (Leve)
Principais Perícias: Detecção de Mentiras 13, Lábia 14, Leitura Labial 14, Culinária 12, Antropologia 10, Pedagogia 12
Frases: "Uh!" ; "É pra mim?" ; "Minha mãe não vai deixar."
----------------------------------------------------
Nome: J. M.
HT: 11 / ST: 9 / DX: 9 / IQ : 11
Vantagens: Aparência (Atraente), Empatia, Intuição, Empatia com Animais
Desvantagens: Distração, Compulsão (acredita estar acima do peso), Código de Honra (Feminista), Dependente (Seu filho)
Principais Perícias: Escrita 13, Manha 12, Dissimulação 14, Culinária 12, Psicologia 11
Frases: "Entendo" ; "Odeio esse tipo de gente" ; "Estou me acostumando com a solidão."
----------------------------------------------------
Nome: D. T.
HT: 9 / ST: 9 / DX: 11 / IQ: 15
Vantagens: Ouvido Aguçado NV 3, Memória Eidética (Nv 1), Aparência (Agradável)
Desvantagens: Teimosia, Maníaco/Depressivo, Disopia (míope), Mau Humor
Principais Perícias: Filosofia 14, Matemática 13, Oper. Comp. 13, Escrever 13, Teologia 12, Dissimulação 16, Boemia 11, Ins. Musical (Violão) 11.
Frases: "Hmn..."
----------------------------------------------------
Nome: Gogó
HT: 10 / ST: 9 / DX: 9 / IQ: 12
Vantagens:
Desvantagens: Azar, Mentir Compulsivamente, Cobiça, Fantasia (acredita saber jogar Dota bem), Paranóia
Principais Perícias: Lábia 11, Dissimulação 12, Trato Social 12, Op. Comp. 12, Jurisdição 10
Frases: "Se isso for verdade, eu dou meu cu" ; "BaN.Sexy chegou!" ; "Todo mundo quer me passar a perna!"
----------------------------------------------------
Bem, eu poderia ir fazendo personagens e personagens, quase todos diferentes em alguma coisa, quase todos muito parecidos.
Os personagens estão aí. Peguem as fichas, vamos jogar.
- x -
Nome: L.F
HT: 9 / ST: 8 / DX: 10 / IQ: 15
Vantagens: Talento pra Matemática, Facilidade para Línguas NV 3
Desvantagens: Distração, Timidez (Grave), Pacifismo (apenas auto-defesa), Vontade Fraca NV 3, Fobia grave (Acrofobia)
Principais Perícias: Inst. Musical (Violão) 12, Poesia 14, Literatura 13, Boemia 11, Jogo 11, Oper. Comp. 12, Língua (Inglês) 13, Escrever 13, Linguística 11
Frases: "Olha o ponto positivo..."; "Pois é... mas poderia ser pior"; "Desculpa."
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Nome: B.L.
HT: 9 / ST: 9 / DX: 11 / IQ: 14
Vantagens: Bom Senso, Talento pra Matemática
Desvantagens: Intolerância, Alcoolismo
Principais Perícias: Arquitetura 11, Jogo 14, Oper. Comp. 13, Boemia 12, Lábia 13, Matemática 12
Frases: "Não fode, porra!" ; "É pouco pra corno" ; "Isso ae, champz."
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Nome: R.R (aka Super)
HT: 12 / ST: 11 / DX: 10 / IQ: 12
Vantagens: Carisma NV 3, Empatia.
Desvantagens: Compulsão (Rir)
Principais Perícias: Dança 14, Dissimulação 13, Lábia 12, Inst. Musical (Violão) 12, Oper. Comp. 11
Frases: "Disso que gosto!" ; "Fala, comédia!" ; "É que mudei de dieta: agora só tô comendo galinha e piranha"
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Nome: V.L (aka Gazelão)
HT: 12 / ST: 10/ DX: 11 / IQ: 10
Vantagens: Aparência (Atraente), Recuperação Alígera
Desvantagens: Excesso de Confiança, Luxúria, Compulsão (Mentir)
Principais Perícias: Oper. Comp. 11, Boemia 12, Sex-Appeal 13, Inst. Musical (VIolão) 11, Capoeira 11
Frases: "Tá uma uva!" ; "Auspicioso!" ; "Porque você não morre?!"
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Nome: Lucca
HT: 12 / ST: 13 / DX: 14 / IQ: 10
Vantagens : Empatia com Animais, Aparência (Agradável), Hipolagia
Desvantagens: Honestidade, Senso de Dever, Impulsividade
Principais Perícias: Veterenirária 10, Cavalgar 14, A.Animais 12, Desenho 14, Pesca 12, Naturalista 12, Artes Marciais 13, Motociclismo 11, Natação 12
Frases: "Fernandinho, você tem que arrumar um emprego!"; "Ê seu zé minhoca!"; "Cacetada!"
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Nome: M.C. (aka Barrasquinho)
HT: 13 / ST: 14 / DX: 10 / IQ: 10
Vantagens: Rijeza
Desvantagens: Fanfarronice, Mau Humor, Impulsividade, Código de Honra (Chevrand)
Principais Perícias: A.Animais 14, Cavalgar 13, Briga 14, Condução (Carro) 13, Conhecimento de Terreno (Chevrand) 14, Laço 12, Boemia 11, Sex-Appeal 12
Frases: "Chupa!"; "Lambeu de porrada" ; "O que o homem não faz por um pedaço de carne mijada?"
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Nome: V.B.
HT: 12 / ST: 10 / DX: 9 / IQ: 12
Vantagens: Aparência (Atraente), Empatia, Voz Melodiosa
Desvantagens: Paranóia, Pacifismo (Auto-Defesa), Timidez (Suave)
Principais Perícias: Escrever 12, Fotografia 14, Trato Social 12, Atuação 12, Cantar 14
Frases: "Nossa, cara!" ; "Aaah não!" ; "Caraca!"
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Nome: S.W.
HT: 12 / ST: 9 / DX: 11 / IQ: 13
Vantagens: Aparência (Atraente), Bom Senso, Força de Vontade NV 3
Desvantagens: Compulsão (Ciúme), Preguiça, Segredo (Leve)
Principais Perícias: Detecção de Mentiras 13, Lábia 14, Leitura Labial 14, Culinária 12, Antropologia 10, Pedagogia 12
Frases: "Uh!" ; "É pra mim?" ; "Minha mãe não vai deixar."
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Nome: J. M.
HT: 11 / ST: 9 / DX: 9 / IQ : 11
Vantagens: Aparência (Atraente), Empatia, Intuição, Empatia com Animais
Desvantagens: Distração, Compulsão (acredita estar acima do peso), Código de Honra (Feminista), Dependente (Seu filho)
Principais Perícias: Escrita 13, Manha 12, Dissimulação 14, Culinária 12, Psicologia 11
Frases: "Entendo" ; "Odeio esse tipo de gente" ; "Estou me acostumando com a solidão."
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Nome: D. T.
HT: 9 / ST: 9 / DX: 11 / IQ: 15
Vantagens: Ouvido Aguçado NV 3, Memória Eidética (Nv 1), Aparência (Agradável)
Desvantagens: Teimosia, Maníaco/Depressivo, Disopia (míope), Mau Humor
Principais Perícias: Filosofia 14, Matemática 13, Oper. Comp. 13, Escrever 13, Teologia 12, Dissimulação 16, Boemia 11, Ins. Musical (Violão) 11.
Frases: "Hmn..."
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Nome: Gogó
HT: 10 / ST: 9 / DX: 9 / IQ: 12
Vantagens:
Desvantagens: Azar, Mentir Compulsivamente, Cobiça, Fantasia (acredita saber jogar Dota bem), Paranóia
Principais Perícias: Lábia 11, Dissimulação 12, Trato Social 12, Op. Comp. 12, Jurisdição 10
Frases: "Se isso for verdade, eu dou meu cu" ; "BaN.Sexy chegou!" ; "Todo mundo quer me passar a perna!"
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Bem, eu poderia ir fazendo personagens e personagens, quase todos diferentes em alguma coisa, quase todos muito parecidos.
Os personagens estão aí. Peguem as fichas, vamos jogar.
sábado, 6 de novembro de 2010
O café estava acabando. Chovia lá fora.
Era dia, uma manhã cinza. A mesma música estava tocando já tinha mais de horas.
Quase um ritual de escritor.
Se você não se importa, quero te pedir uma coisa.
Quero que você acompanhe o processo, acompanhe o passo-a-passo de como nasce um texto chato daqueles que nem eu consigo ler até o final. Um texto, que acidentalmente, vai se tornando obscuro ao invés de profundo, que vai se tornando sincero ao invés de interessante, que vai se mesclando comigo ao invés de parecer contigo.
Porque, além do café, da chuva, da manhã cinza e da música, quero que você me imagine. Ou imagine a si mesmo(a) sentado aqui, com a cabeça abaixada, os braços cruzados, o rosto encostado nos braços. E no fundo, no fundo, você tentando não prestar atenção em nada, só nos próprios pensamentos. Você imagina um campo, uma casa, um cenário. Uma lareira. Tenta buscar coisas quentes, mensagens positivas, cenas diferentes.
Levanta o rosto, olha pro papel em branco. "Não, não é isso", pensa. Toma outro gole do café que está esfriando, ergue os olhos, enfrenta o papel de novo.
Um "pra quê estou fazendo isso?" passa pela sua cabeça.
Você escreve três palavras:
Acho que encontrei.
"E agora, José?" é o que você diz pra si mesmo, lembrando dos versos tão famosos.
Aí você lembra pra quê está fazendo isso. E guarda segredo, acha que é errado, suspeita de ser um invejoso. Como um invejoso pode escrever sem sentir-se culpado?
E vem a culpa.
E você lembra: "Não, isso não é pra mim, isso não é por mim, não vou escrever só pra mim. Vou escrever algo que alguém queria ler".
E você, daqui, da sua cabeça, começa imaginar como o outro deve ser. "O que será que as pessoas estão fazendo?" lhe vem a cabeça.
O café acaba. Você abaixa a cabeça de novo. A música continua, parte do ambiente. Aliás, até você vira parte do ambiente, vira cenário. E o que se passa são as pessoas que você conhece: uma garota que gosta de escrever, um amigo que só joga poker e não tem paciência pra ler nada, um professor que procura algo que você não sabe, uma outra garota que tem olhos inconfundíveis, um outro amigo que só ouve funk e aquelas coisas que colocam pra ele ouvir, e aquele colega de trabalho que só fala de problemas, e vai indo....
Você cansa, então, de tentar pensar nas pessoas. Tenta não generalizar, mas vai se tornando complicado.
De novo, o papel. Ainda está lá escrito as suas palavras.
Acho que encontrei.
Bate uma vontade insuportável de apagar as três palavras. Não adianta, isso não vai sair daí. Eu não encontrei, essa é a verdade.
Você então procura mais café, o café já acabou faz tempo.
Você então lembra que tudo acaba.
Pra quê quero fazer isso, se tudo acaba?
Então você lembra de toda merda que parece ser eterna. Se tudo acaba, porque a violência continua? Porque o tédio continua? Porque essa esperança continua?
Nem a certeza de que tudo acaba você tem. Então, continua.
Parece a coisa mais heróica do mundo, mas não é. Não tem heroísmo algum. Na realidade, ainda é uma pessoa, num dia de chuva, ouvindo a mesma música, de braços cruzados e a cabeça encostada nos braços.
E você fecha os olhos.
Acho que encontrei
Te encontrei
Aqui
Mais três palavras. Dá vontade de envolver toda a situação, os olhos fechados, a revelação da sua necessidade de atenção, o seu futuro, e tudo que passou, tudo! Colocar tudo nos próximos versos.
Mas vai ser muita coisa, tanta coisa, que enquanto vai passando pela sua cabeça, você vai esquecendo.
E no final, você resume tudo:
Acho que encontrei
Te encontrei
Aqui.
Fique, por favor.
É, eu sei. Pra quem não acompanha o processo, os versos não fazem sentido.
Espero que pra você, eles façam.
Porque eu não aguento mais quando eles não fazem sentido.
E escrevo por isso.
- x -
Essa postagem saiu também no Autores S/A. (http://autoressa.blogspot.com) Mas acho que vai ser a única postagem que os dois blogs vão ter em comum.
Era dia, uma manhã cinza. A mesma música estava tocando já tinha mais de horas.
Quase um ritual de escritor.
Se você não se importa, quero te pedir uma coisa.
Quero que você acompanhe o processo, acompanhe o passo-a-passo de como nasce um texto chato daqueles que nem eu consigo ler até o final. Um texto, que acidentalmente, vai se tornando obscuro ao invés de profundo, que vai se tornando sincero ao invés de interessante, que vai se mesclando comigo ao invés de parecer contigo.
Porque, além do café, da chuva, da manhã cinza e da música, quero que você me imagine. Ou imagine a si mesmo(a) sentado aqui, com a cabeça abaixada, os braços cruzados, o rosto encostado nos braços. E no fundo, no fundo, você tentando não prestar atenção em nada, só nos próprios pensamentos. Você imagina um campo, uma casa, um cenário. Uma lareira. Tenta buscar coisas quentes, mensagens positivas, cenas diferentes.
Levanta o rosto, olha pro papel em branco. "Não, não é isso", pensa. Toma outro gole do café que está esfriando, ergue os olhos, enfrenta o papel de novo.
Um "pra quê estou fazendo isso?" passa pela sua cabeça.
Você escreve três palavras:
Acho que encontrei.
"E agora, José?" é o que você diz pra si mesmo, lembrando dos versos tão famosos.
Aí você lembra pra quê está fazendo isso. E guarda segredo, acha que é errado, suspeita de ser um invejoso. Como um invejoso pode escrever sem sentir-se culpado?
E vem a culpa.
E você lembra: "Não, isso não é pra mim, isso não é por mim, não vou escrever só pra mim. Vou escrever algo que alguém queria ler".
E você, daqui, da sua cabeça, começa imaginar como o outro deve ser. "O que será que as pessoas estão fazendo?" lhe vem a cabeça.
O café acaba. Você abaixa a cabeça de novo. A música continua, parte do ambiente. Aliás, até você vira parte do ambiente, vira cenário. E o que se passa são as pessoas que você conhece: uma garota que gosta de escrever, um amigo que só joga poker e não tem paciência pra ler nada, um professor que procura algo que você não sabe, uma outra garota que tem olhos inconfundíveis, um outro amigo que só ouve funk e aquelas coisas que colocam pra ele ouvir, e aquele colega de trabalho que só fala de problemas, e vai indo....
Você cansa, então, de tentar pensar nas pessoas. Tenta não generalizar, mas vai se tornando complicado.
De novo, o papel. Ainda está lá escrito as suas palavras.
Acho que encontrei.
Bate uma vontade insuportável de apagar as três palavras. Não adianta, isso não vai sair daí. Eu não encontrei, essa é a verdade.
Você então procura mais café, o café já acabou faz tempo.
Você então lembra que tudo acaba.
Pra quê quero fazer isso, se tudo acaba?
Então você lembra de toda merda que parece ser eterna. Se tudo acaba, porque a violência continua? Porque o tédio continua? Porque essa esperança continua?
Nem a certeza de que tudo acaba você tem. Então, continua.
Parece a coisa mais heróica do mundo, mas não é. Não tem heroísmo algum. Na realidade, ainda é uma pessoa, num dia de chuva, ouvindo a mesma música, de braços cruzados e a cabeça encostada nos braços.
E você fecha os olhos.
Acho que encontrei
Te encontrei
Aqui
Mais três palavras. Dá vontade de envolver toda a situação, os olhos fechados, a revelação da sua necessidade de atenção, o seu futuro, e tudo que passou, tudo! Colocar tudo nos próximos versos.
Mas vai ser muita coisa, tanta coisa, que enquanto vai passando pela sua cabeça, você vai esquecendo.
E no final, você resume tudo:
Acho que encontrei
Te encontrei
Aqui.
Fique, por favor.
É, eu sei. Pra quem não acompanha o processo, os versos não fazem sentido.
Espero que pra você, eles façam.
Porque eu não aguento mais quando eles não fazem sentido.
E escrevo por isso.
- x -
Essa postagem saiu também no Autores S/A. (http://autoressa.blogspot.com) Mas acho que vai ser a única postagem que os dois blogs vão ter em comum.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Rosnando
É.
Quero xingar e não consigo.
In... fer... no.
Sinto muito. Mas conversar não resolve. Não lembro o que você disse.
Não dizemos a mesma coisa
Nem se usarmos as mesmas palavras.
Eu passei a noite mostrando-lhe meus medos,
Pra você no fim só dizer: "boa-noite"
Eu tento esconder isso,
Mas minha única verdade
É que me decepciono.
Mas você só faz questão
De mostrar sua decepção.
A minha, escondo.
Saiu agora, só porque está tudo fora de controle.
Você esqueceu, você disse que nunca soube.
As pessoas dependem das outras pessoas, você não admite.
Diz que isso fere sua sensação de ser livre.
Tem vergonha de depender e orgulho dessa solidão.
Pois então,
A falta de razão
Venceu.
Deixa o sangue pingar.
Fazer o moinho girar.
Porque não sei da onde vem a coragem.
Se é mesmo coragem essa palhaçada
Que você veio exigir de mim.
Quero xingar e não consigo.
In... fer... no.
Sinto muito. Mas conversar não resolve. Não lembro o que você disse.
Não dizemos a mesma coisa
Nem se usarmos as mesmas palavras.
Eu passei a noite mostrando-lhe meus medos,
Pra você no fim só dizer: "boa-noite"
Eu tento esconder isso,
Mas minha única verdade
É que me decepciono.
Mas você só faz questão
De mostrar sua decepção.
A minha, escondo.
Saiu agora, só porque está tudo fora de controle.
Você esqueceu, você disse que nunca soube.
As pessoas dependem das outras pessoas, você não admite.
Diz que isso fere sua sensação de ser livre.
Tem vergonha de depender e orgulho dessa solidão.
Pois então,
A falta de razão
Venceu.
Deixa o sangue pingar.
Fazer o moinho girar.
Porque não sei da onde vem a coragem.
Se é mesmo coragem essa palhaçada
Que você veio exigir de mim.
sábado, 30 de outubro de 2010
Senna
Dela, eu conheço as curvas
Mas o caminho nunca é o mesmo
E sei que posso apertar os freios
Mas acelero em mais uma frase
Um pouco mais, talvez eu me ache
Um pouco mais, direto pro desastre
Um louco, mas... estou tão perto
Você faz os limites, eu os testo
Um verso a mais pode acabar com o poema
Mas é uma pena se eu não tentar
...
Uma pena, mesmo
Mas receio que tentei
E o verso não veio.
Mas o caminho nunca é o mesmo
E sei que posso apertar os freios
Mas acelero em mais uma frase
Um pouco mais, talvez eu me ache
Um pouco mais, direto pro desastre
Um louco, mas... estou tão perto
Você faz os limites, eu os testo
Um verso a mais pode acabar com o poema
Mas é uma pena se eu não tentar
...
Uma pena, mesmo
Mas receio que tentei
E o verso não veio.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Durante uma festa...
- Que foi, cara? Porque você tá olhando pro nada, assim?
Hmn..
- Nada - digo pra ele. - É só que estou sentindo falta dela.
- Dela quem? Sua namorada?
- Nada. Quem dera fosse. Ela é só uma garota que gosto. Realmente gosto muito.
- x -
To who I SAW.
Hmn..
- Nada - digo pra ele. - É só que estou sentindo falta dela.
- Dela quem? Sua namorada?
- Nada. Quem dera fosse. Ela é só uma garota que gosto. Realmente gosto muito.
- x -
To who I SAW.
Minhas manhãs tem algo de parecido.
Mas só se eu consigo chegar antes da Ângela, pra poder abrir a biblioteca.
Ser o primeiro a abrir a biblioteca é legal. É ganhar o "bom-dia" especial da biblioteca. Uma lufada de ar geralmente quente, acompanhada de um cheiro de livro e poeira. É a baforada de quem acabou de acordar também e ainda não escovou nem os dentes. É uma sensação acolhedora, tão palpável que ultimamente tenho até respondido "bom-dia" de volta pra ela, baixinho.
Uma biblioteca, bem, é só uma biblioteca.
Mas só se eu consigo chegar antes da Ângela, pra poder abrir a biblioteca.
Ser o primeiro a abrir a biblioteca é legal. É ganhar o "bom-dia" especial da biblioteca. Uma lufada de ar geralmente quente, acompanhada de um cheiro de livro e poeira. É a baforada de quem acabou de acordar também e ainda não escovou nem os dentes. É uma sensação acolhedora, tão palpável que ultimamente tenho até respondido "bom-dia" de volta pra ela, baixinho.
Uma biblioteca, bem, é só uma biblioteca.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Bem e Mal, até onde sei.
Você já foi chamado de bonzinho?
"Sim, já fui"
Bem, bem, muito bem. Quando você ouviu isso, sentiu o estômago embrulhar?
"Hã? Porque sentiria?"
É, você talvez não tenha o porquê de sentir seu estômago embrulhar.
Isso geralmente acontece é comigo.
- x -
É que bem e mal, até onde sei, são diferentes do que tentaram me ensinar. Começa pelo fato de todos quererem arrumar uma definição prática e bem distinta pros dois. E no final, tentam e tentam definir e acabam caindo num ponto comum nojento, que é o "depende do ponto de vista". Quer um exemplo? Ok. Imagina um rapaz. Uma garota. E outro cara aí, namorado da garota. Clássico triângulo amoroso, com uma garota mal-amada, um rapaz apaixonado por essa garota, e um namorado que não quer perder a namorada.
Me ensinaram que todos são capazes de serem bondosos.
Seu desafio é arrumar uma solução onde os três personagens sejam bondosos aí, sem rolar suruba ou poligamia.
Se você arrumou, parabéns, você pode parar de ler isso aqui e sair pro mundo pra ser uma pessoa bondosa e salvar todo mundo.
Caso contrário, não se preocupe, talvez haja solução. Só não caia no marasmo do "depende do ponto de vista".
E caso contrário, acho que já dá pra você entender o porquê que ser "bonzinho" me dá um embrulho na barriga. Porque eu não sei nem definir bondade. Nem acredito nas definições de bondade que me ensinaram. Então, porra, como eu sou bonzinho? Eu nem sei definir maldade, além de duas coisas: evitar dar explicações; e essa outra coisa instintiva que reconheço na hora quando ligo a tv.
Deixa eu te pedir outra coisa?
Não caia no marasmo (sério mesmo!) do "depende do ponto de vista".
Porque isso não é fazer maldade nem bondade. É ainda pior. É evitar fazer ambos.
"Sim, já fui"
Bem, bem, muito bem. Quando você ouviu isso, sentiu o estômago embrulhar?
"Hã? Porque sentiria?"
É, você talvez não tenha o porquê de sentir seu estômago embrulhar.
Isso geralmente acontece é comigo.
- x -
É que bem e mal, até onde sei, são diferentes do que tentaram me ensinar. Começa pelo fato de todos quererem arrumar uma definição prática e bem distinta pros dois. E no final, tentam e tentam definir e acabam caindo num ponto comum nojento, que é o "depende do ponto de vista". Quer um exemplo? Ok. Imagina um rapaz. Uma garota. E outro cara aí, namorado da garota. Clássico triângulo amoroso, com uma garota mal-amada, um rapaz apaixonado por essa garota, e um namorado que não quer perder a namorada.
Me ensinaram que todos são capazes de serem bondosos.
Seu desafio é arrumar uma solução onde os três personagens sejam bondosos aí, sem rolar suruba ou poligamia.
Se você arrumou, parabéns, você pode parar de ler isso aqui e sair pro mundo pra ser uma pessoa bondosa e salvar todo mundo.
Caso contrário, não se preocupe, talvez haja solução. Só não caia no marasmo do "depende do ponto de vista".
E caso contrário, acho que já dá pra você entender o porquê que ser "bonzinho" me dá um embrulho na barriga. Porque eu não sei nem definir bondade. Nem acredito nas definições de bondade que me ensinaram. Então, porra, como eu sou bonzinho? Eu nem sei definir maldade, além de duas coisas: evitar dar explicações; e essa outra coisa instintiva que reconheço na hora quando ligo a tv.
Deixa eu te pedir outra coisa?
Não caia no marasmo (sério mesmo!) do "depende do ponto de vista".
Porque isso não é fazer maldade nem bondade. É ainda pior. É evitar fazer ambos.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Eu tinha, tu tinha, te...
Se eu disser que quero mudar o mundo... acho que estou enganando alguém.
Não sei quem. Não lembro com quantas pessoas falei isso.
E não sei quem. Porque ainda posso estar enganando a mim mesmo...
É que eu sacrifico minha liberdade por uma pessoa, mas não por um país.
Mas pra essa frase fazer tanto sentido e ser tão importante quanto deveria, eu tinha que ser famoso.
=/
Não sei quem. Não lembro com quantas pessoas falei isso.
E não sei quem. Porque ainda posso estar enganando a mim mesmo...
É que eu sacrifico minha liberdade por uma pessoa, mas não por um país.
Mas pra essa frase fazer tanto sentido e ser tão importante quanto deveria, eu tinha que ser famoso.
=/
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Vilarejo
É, eu sei.
Desse vilarejo
Nesse momento
O que mais desejo
É encontrar minha cama
E dela, fazer meu reino
E descansar o dia inteiro.
Desse vilarejo
Nesse momento
O que mais desejo
É encontrar minha cama
E dela, fazer meu reino
E descansar o dia inteiro.
domingo, 24 de outubro de 2010
Fable's Moral
There's a popular fable about a hummingbird and a forest fire. If you never heard about it, I'll resume it to you: A fire starts at the forest that the little hummingbird and a lot of animals lives. And all fucking animals runs from the fire, trying to survive. Except the hummingbird. The hummingbird flies to the lake next to the forest, and fills his bill with water and spread it on the fire, trying to stop it. So, an elephant notices what the hummingbird is doing and asks to him:
- Are you triyng to kill yourself? You'll never stop the fire!
- Yeah, I'now. But, at least, I'm doing my part.
Well, and you want to know what's the trully fable's moral?
The hummingbird wasn't trying to be an altruistic hero like everybody told me. He as just a selfish that was trying to keep his consciousness cleans. Like everyone.
And if you want, really want, to stop the forest fire, don't do it just to keep your consciousness clean.
- Are you triyng to kill yourself? You'll never stop the fire!
- Yeah, I'now. But, at least, I'm doing my part.
Well, and you want to know what's the trully fable's moral?
The hummingbird wasn't trying to be an altruistic hero like everybody told me. He as just a selfish that was trying to keep his consciousness cleans. Like everyone.
And if you want, really want, to stop the forest fire, don't do it just to keep your consciousness clean.
sábado, 23 de outubro de 2010
03 de Outubro - Keep Fallin'
Quando o encontrei após subir as escadas, ele disse:
- Acho que você já sabe o que tá acontecendo, certo?
- Bombas, sei. Só que só sei os fatos, mas não sei os motivos. E cadê a Jess, D.? E cadê o resto do pessoal dessa casa?
- Ela não tá aqui agora não... - disse ele. Encarei-o , incrédulo... - Mas não se preocupe, ela já está voltando. - completou ele ao ver minha cara de "e o que você tá fazendo aqui, sozinho na casa dela e com ninguém em casa?"
- Hmn... e como você veio parar aqui, e no mais, ainda ficar aqui sozinho? - perguntei pra ele.
- É uma boa e longa história.
- E se você não se importa, espero que me conte ela. - respondi de imediato
- Não posso, ainda.
Olhei pra ele...
- D. , o que tá acontecendo?
Ele suspirou...
- Hmn... vejamos... você se lembra, há algum tempo, do Clube da Luta?
- Aham... - respondi
- Pois bem. Sabe que os objetivos deles sempre foram abalar a sociedade burguesa, certo? Usando táticas de, hmn..., como ela costuma dizer, de terrorismo poético.
- Tá, mas explodir bombas não tem nada de poético.
- Nisso eu discordo - ele disse. - Mas enfim...
- O Clube da Luta algumas vezes dava em merda... mas explodir bombas, num país inteiro..
- Mas enfim... - ele repetiu, me cortando - o Clube da Luta conseguiu a única coisa que faltava... se organizar pra fazer algo realmente capaz de chegar a sua máxima... abalar.
"A constituição tem uma brecha interessante. Ela prevê que se 50% das urnas sofrerem anulidades ( e convenhamos, explodir urnas eletrônicas é um modo de faze-lâs sofrerem anulidade) a eleição é cancelada. Só que a constituição não prevê o que acontece se até o dia da posse dos novos eleitos não tiver sido realizada nenhuma eleição.
Sabe o que isso significa?
Que o país fica nas mãos de ninguém."
- Mas não é isso que vai acontecer... seria bom demais se acontecesse assim, mas não é isso que vai acontecer.
- Eu sei. - D. falou - Mas eu não sei realmente a intenção verdadeira de quem organizou o pessoal dos Clubes da Luta pelo país inteiro. E na verdade, nem esperava que explodissem as bombas mesmo. Mas eles conseguiram.
- Como eles fizeram isso, D.?
- Você fica sozinho numa cabine pra votar. Já viu alguma medida de segurança, algum detector de metal? Então, eles aproveitaram essa falha.
- Tá, mas organizar tanta gente.. isso é quase impossível.
- É.
Houve então um silêncio meio constrangedor... eu olhei pra baixo, pensando.
Ele também.
- D., quem foi que explodiu as bombas aqui em Bom Jardim?
- Não posso dizer.
- Não foi ela, não né? Ela pode ser presa!
Ele só ficou quieto.
- Puta que paril! - exclamei. - E agora?
- Eu nunca soube como responder essa pergunta... espera que eu a responda agora?
- x -
Eu sei que esse final tá muito sem final, mas por enquanto (e provavelmente pra sempre) vai ficar assim. Sorry to all.
- Acho que você já sabe o que tá acontecendo, certo?
- Bombas, sei. Só que só sei os fatos, mas não sei os motivos. E cadê a Jess, D.? E cadê o resto do pessoal dessa casa?
- Ela não tá aqui agora não... - disse ele. Encarei-o , incrédulo... - Mas não se preocupe, ela já está voltando. - completou ele ao ver minha cara de "e o que você tá fazendo aqui, sozinho na casa dela e com ninguém em casa?"
- Hmn... e como você veio parar aqui, e no mais, ainda ficar aqui sozinho? - perguntei pra ele.
- É uma boa e longa história.
- E se você não se importa, espero que me conte ela. - respondi de imediato
- Não posso, ainda.
Olhei pra ele...
- D. , o que tá acontecendo?
Ele suspirou...
- Hmn... vejamos... você se lembra, há algum tempo, do Clube da Luta?
- Aham... - respondi
- Pois bem. Sabe que os objetivos deles sempre foram abalar a sociedade burguesa, certo? Usando táticas de, hmn..., como ela costuma dizer, de terrorismo poético.
- Tá, mas explodir bombas não tem nada de poético.
- Nisso eu discordo - ele disse. - Mas enfim...
- O Clube da Luta algumas vezes dava em merda... mas explodir bombas, num país inteiro..
- Mas enfim... - ele repetiu, me cortando - o Clube da Luta conseguiu a única coisa que faltava... se organizar pra fazer algo realmente capaz de chegar a sua máxima... abalar.
"A constituição tem uma brecha interessante. Ela prevê que se 50% das urnas sofrerem anulidades ( e convenhamos, explodir urnas eletrônicas é um modo de faze-lâs sofrerem anulidade) a eleição é cancelada. Só que a constituição não prevê o que acontece se até o dia da posse dos novos eleitos não tiver sido realizada nenhuma eleição.
Sabe o que isso significa?
Que o país fica nas mãos de ninguém."
- Mas não é isso que vai acontecer... seria bom demais se acontecesse assim, mas não é isso que vai acontecer.
- Eu sei. - D. falou - Mas eu não sei realmente a intenção verdadeira de quem organizou o pessoal dos Clubes da Luta pelo país inteiro. E na verdade, nem esperava que explodissem as bombas mesmo. Mas eles conseguiram.
- Como eles fizeram isso, D.?
- Você fica sozinho numa cabine pra votar. Já viu alguma medida de segurança, algum detector de metal? Então, eles aproveitaram essa falha.
- Tá, mas organizar tanta gente.. isso é quase impossível.
- É.
Houve então um silêncio meio constrangedor... eu olhei pra baixo, pensando.
Ele também.
- D., quem foi que explodiu as bombas aqui em Bom Jardim?
- Não posso dizer.
- Não foi ela, não né? Ela pode ser presa!
Ele só ficou quieto.
- Puta que paril! - exclamei. - E agora?
- Eu nunca soube como responder essa pergunta... espera que eu a responda agora?
- x -
Eu sei que esse final tá muito sem final, mas por enquanto (e provavelmente pra sempre) vai ficar assim. Sorry to all.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
De estimação
"Pai?"
"Oi, meu filho..."
"Você tá bem?"
Ele respondeu um rápido "estou". Ele não estava. Tava na cara que não estava.
E eu não queria que isso virasse história. Nem que pessoas tão reais virassem personagens.
Mas eu olhei pra ele e não consegui dizer nada. Posso dizer agora?
"Pai?"
"Que foi, meu filho?"
"Eu acho que alma existe."
"..."
"É que... ela, no final, só queria estar contigo. Ela gania, mas não era de dor. Era pra quando chegar a hora, estivesse contigo. E você esteve com ela, pai."
"..."
Alma existe, pai. Senão, não existiria motivo para neste momento eu achar esse seu gesto a coisa mais importante do mundo.
- x -
In Memoriam. A cachorra daqui de casa morreu hoje.
"Oi, meu filho..."
"Você tá bem?"
Ele respondeu um rápido "estou". Ele não estava. Tava na cara que não estava.
E eu não queria que isso virasse história. Nem que pessoas tão reais virassem personagens.
Mas eu olhei pra ele e não consegui dizer nada. Posso dizer agora?
"Pai?"
"Que foi, meu filho?"
"Eu acho que alma existe."
"..."
"É que... ela, no final, só queria estar contigo. Ela gania, mas não era de dor. Era pra quando chegar a hora, estivesse contigo. E você esteve com ela, pai."
"..."
Alma existe, pai. Senão, não existiria motivo para neste momento eu achar esse seu gesto a coisa mais importante do mundo.
- x -
In Memoriam. A cachorra daqui de casa morreu hoje.
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